O brasiliense terá que esperar até junho de 2013 para, finalmente, ver sair do papel o novo modelo de transporte público do Distrito Federal. A última previsão dada pela Secretaria de Transportes era março, porém, a justificativa para mais um adiamento é o pedido de recursos das empresas inabilitadas na licitação dos ônibus. Enquanto isso, o cenário não é nada animador. Pesquisa encomendada pela multinacional Siemens colocou Brasília na pior posição entre as 17 maiores cidades latino-americanas no quesito transporte.
Expectativa
O Governo do Distrito Federal fará um chamamento público para preencher dois lotes que restaram. Ainda não há data para apresentação das propostas. “Novos operadores preencherão a licitação e logo este processo será concluído”, afirma o subsecretário.
Pesquisa encomendada pela Siemens, que busca medir e avaliar
o desempenho de 17 cidades latino-americanas considerando diversos critérios,
demonstrou que a situação é ainda mais grave no DF do que muitos possam
imaginar.
Brasília recebeu a colocação “bem abaixo da média” no que se
refere ao transporte. A cidade foi apresentada com sua rede de transporte concentrada
no uso dos ônibus e frequentemente com superlotação. Também se constatou que a
cidade tem um mau desempenho no que se refere à política de transportes coletivos
urbanos. A pesquisa lembra que Brasília foi projetada quando a indústria
automobilística tomava impulso. Por isso, os carros ficaram em primeiro plano,
enquanto pouco se pensou no pedestre. O estudo mostrou, ainda, que o metrô
atende a uma pequena parcela da população – 150 mil, em um universo de 2,5
milhões.
Enquanto isso, quem não tem carro deve recorrer aos ônibus,
que não poupam a emissão de poluentes. Conforme a pesquisa, Brasília possui a
menor rede de transporte coletivo “verde” em relação ao seu tamanho. O
Ministério Público pediu ao GDF que observasse na licitação o combustível
utilizado nos futuros ônibus.
Ônibus quebrados
Dos 3.953 veículos pertencentes à frota de coletivos do
Distrito Federal, 45% já ultrapassaram a idade-limite e circulam em péssimo estado.
Desse total, uma média de 70 veículos quebra todos os dias e não consegue
completar seus percursos. A estimativa é das próprias empresas de ônibus. Já
São Paulo foi classificada como acima da média na pesquisa da Siemens, enquanto
a reputação da cidade é de congestionamento crônico. Isso porque os critérios
analisados se baseiam em observações subjetivas sobre a qualidade de vida. O
índice avalia, por exemplo, políticas públicas que são um reflexo do
compromisso das cidades em reduzir o impacto ambiental.
Para o doutor em ciências políticas e professor
do mestrado em Transportes da Universidade de Brasília (UnB) Joaquim Aragão, o maior
prejudicado na demora para oferecer um transporte de qualidade é o usuário.
“Percebo este processo licitatório como uma guerra. Além do cidadão, que fica
no meio deste processo, as empresas vencedoras também ficam na espera”, diz.
Para ele, as empresas agem de maneira a retardar a licitação.


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